E olha só, já estamos em outubro!! É hora de trocar a fachada! Nesse mês quem ficou com esse cargo foi o Estúdio ALMA. Com a volta do nosso blog ao ar, temos um espaço reservado para falar um pouco mais sobre os encarregados de cada mês.

Então vamos ver o que eles aprontam por aí?

Formado inicialmente pelos paulistas Thiago Souto e Arnaldo Boico, o Estúdio ALMA conta atualmente com 3 colaboradores e uma rede de freelancers. Se definem como um estúdio com liberdade genuína, focado em imagens em movimento, human-interaction e arte. Segundo os próprios “O Estúdio ALMA nasceu com um nome no abstrato e místico, com valores reais para seguir sua própria arte. Nasceu pela necessidade de buscar um estilo único e mais forte que o capital. Nasceu brasileiro. Nasceu para o mundo. Nasceu da mistura, mas pra se destacar no meio de todo mundo. Nasceu para a liberdade de arte e alma. Nós focamos nosso trabalho em todos aqueles que entendem o que se posicionar com estilo pode agregar a um projeto.”.

Abaixo segue uma pequena entrevista que fizemos com os meninos e mais fotos da semana em que eles passaram aqui trabalhando na nossa parede.

Quando resolveram se unir para trabalhar juntos?

Arnaldo Boico: O Thiago já estava no Brasil, no nosso escritório da Rua Augusta. Eu estava voltando da Europa após 8 anos fora, e trazia na mala o protótipo e a filosofia do estúdio. Resolvemos trabalhar lado a lado e, naturalmente, alguns projetos foram feitos em parceria, criando e decidindo os passos do projeto juntos.

Thiago Souto: Temos uma visão muito parecida sobre o processo, respeitamos o tempo que passamos dentro do estúdio como algo sagrado, assim como respeitamos o tempo que passamos fora dele. Além disso tentamos usar nossas diferenças estéticas como um elemento que nos aproxima, cada colaborador aparece com um background diferente, algumas vezes antagônico, mas enxergamos isso como algo que pode ser enriquecedor.

O que inspira vocês ? E o que faz perder a concentração?

Arnaldo Boico: Tenho como base uma formação ligada a arte. Especialmente hoje, a arte digital, arte contemporânea e arquitetura. Gosto muito de acompanhar o fashion design também, e me inspiro na leitura e espiritualidade, especialmente no místico e abstrato do universo. Já perder a concentração… acho que a falta de foco nos projetos,sabe? Trabalhos que vem e voltam milhões de vezes, por pura falta de comunicação e entendimento.

Thiago Souto: Minha formação sempre foi guiada pela arte. Atualmente tento focar a inspiração em experiências pessoais. Boa parte das coisas que tenho coletado como referência faz ligação com alguma experiência ou acontecimento. Sobre perder a concentração, não precisa ser necessariamente algo ruim, como estamos constantemente buscando referências, muitas vezes acabo me perdendo na pesquisa, criando labirintos de links, coisa que depois de 30 minutos vou me perguntar: “mas o que eu estava procurando mesmo?”

Qual a lembrança mais antiga que vocês tem em relação à arte?

Arnaldo Boico: Lembro dos meus 6 anos de idade, na sala da minha casa, com um 486 instalando o 3D Studio, e tentando fazer um personagem de vídeo game… me lembro também de desenhar o que via nas revistas em quadrinhos. Tenho uma lembrança vaga de algumas exposições também, mas não são claras.

Thiago Souto: Minha avó paterna era pintora, assim como meu pai. Meus tios maternos sempre tiveram uma relação próxima com música. Acho que a lembrança mais antiga em relação à arte é o retrato de uma senhora com um capuz, feito por minha avó. Lembro dos detalhes do rosto, as rugas, mas principalmente da expressão nos olhos, era um pouco assustador, mas ao mesmo tempo atraente.


Quem vocês admiram?

Arnaldo Boico: Dentro do design, tenho uma profunda admiração pelo Sagmeister. Acho que ele criou o modelo ideal de estúdio: poucas e boas pessoas, trabalhos bem executados e uma filosofia voltada para o ser humano. Gosto também de estúdios como Rosie Lee, Bleed.no e Hi-Res!. No mundo, tenho admiração por alguns mestres e pensadores, como o Osho, Mestre Pastinha, Gandhi… enfim, a lista pode ser longa!

Thiago Souto: Admiro pessoas que criam por prazer, que respeitam o próprio trabalho, sem compromisso com modismos. Leio muito quadrinho, vou em caras como Charles Burns, Daniel Clowes, Mutarelli, Mazzucchelli, Laerte, Art Spiegelman……. Dentro do design, concordo com o Boico, além de nomes como Wollner, que ajudou a criar e estabelecer o design no Brasil. Saindo do universo da arte e design, admiro muitos amigos, pessoas próximas.

Que tipo de trabalho te dá mais prazer?

Arnaldo Boico: Gosto daquele tipo de trabalho onde o cliente tem tempo para a execução, e você tem tempo de estudar uma técnica inovadora para realizá-lo. Isso vale para Motion, Web, Gráfico… o importante é que ambas as partes estejam interessadas em trabalhar com calma, paciência de errar e acertar, e focando no resultado final onde querem chegar. Na minha opinião, o processo é o trabalho. O resultado final é mera conseqüência.

Thiago Souto: Quando o cliente entende o processo de produção, acredita no estúdio e aposta em uma solução criativa.

Como vocês se prepararam para pintar a fachada da El Cabriton ? Fizeram rascunho? Já tinham pintado na rua antes?

Arnaldo Boico: Sim, fizemos muitos sketches e conversamos muito antes de ir para a parede. Como temos estilos diferentes, estávamos tentando alinhar ao máximo nossas skills, para realizar um trabalho íntegro. Eu já tenho experiência com o grafite desde os 15 anos. Pintar na rua não foi uma novidade – mas pintar na Rua Augusta, bem na esquina da Alamenda Jau… foi um prazer particular!

Thiago Souto: Só tinha pintado espaços internos, então para mim foi uma novidade. Como o Boico disse, tentamos nos complementar.

Pintando na rua, principalmente na Augusta, as pessoas te abordam e dão opinião diretamente sobre o trabalho, vocês acham isso positivo ou negativo?

Arnaldo Boico: É sempre positivo, se você sabe filtrar o que escuta.

Thiago Souto: Positivo. Mesmo que a pessoa ache uma porcaria, ela olhou e se deu o trabalho de expressar uma opinião.

Contem como foi o processo de criação da fachada. O porque da escolha das cores e do desenho.

Só vamos deixar fluir. Será uma somatória de estudos de nossos sketches e projetos pessoais. O mais importante será o processo.

Ping Pong:

Vermelho ou Azul? Vermelho

Lasanha ou Churrasco? A: Lasanha Vegetariana T: Lasanha

Cerveja ou Whisky? Whisky Jack Daniel’s

Ursinhos Carinhosos ou Caverna do Dragão? Caverna do Dragao

7 up ou Cherry Coke? 7 Up

Pica-Pau ou papa-léguas? A: Pica Pau T :Papa-léguas

Pitfall ou Enduro? Pitfall

Beatles ou Rolling Stones? Beatles

Sheila Melo ou Sheila Carvalho? As duas. Juntas, de preferência.

Paul ou Lennon? Lennon George

Cachorro ou gato? Cachorro Gato

Zacarias ou Mussum? Mussum

Chaves ou Chapolin? Chaves

Parede ou Computador? A:Os dois. T: Parede

Rio ou São Paulo? A: Rio T: São Paulo

Oasis ou Radiohead? Radiohead

Loucademia de Polícia 1 ou 2? A: De volta para o Futuro. T: O 1 e o 2 LP 2

Ângulos ou Curvas? Os dois, em harmonia.

Querem  deixar alguma informação adicional? Se estiver pela Rua Augusta e quiser tomar um café conosco, estão convidados.
Nosso obrigado da  equipe El Cabriton à dedicação e ao fantástico trabalho do Estúdio ALMA.

**** Mais fotos em breve