Com papel e estilete em mãos, Ariádine Menezes transforma o improvável em arte

A habilidosa artista brasileira Ariádine Menezes traz em seu trabalho obras com a técnica chamada Kiri-ê, também conhecida como papercutting

Muitas técnicas manuais são esquecidas com o tempo. Já outras se transformam com o passar dos anos. O papercutting é uma delas, uma arte tradicional que encanta os olhos. Acredita-se que ela veio da China, no século XV, com o nome de Kiri-ê.

Assim, os minuciosos recortes em papel feitos manualmente com estilete de precisão atravessaram muitas fronteiras para chegar às mãos dos artistas que hoje usam estes materiais para criar incríveis desenhos, padrões, texturas e sensações incríveis.

brasileira Ariádine Menezes é uma dessas pessoas que desenvolveram o dom de trabalhar usando este método. Ariádine cria recortes cheios de detalhes que transformam até mesmo uma pequena folha de papel em uma linda obra de arte.

UMA FOLHA DE PAPEL = ARTE PARA ARIÁDINE

A santista, apesar de nunca ter se formado em artesempre trabalhou com o seu lado mais criativo. Começou ao estudar jornalismo, foi redatora, parou, trabalhou com fotografia e depois disso decidiu sair pelo mundo. Foram 3 anos entre Europa, Turquia e na maior parte do tempo Índia, onde esteve aberta pra se aventurar e entender melhor o que queria de seu futuro.

Ariádine conta que sempre gostou de práticas de repetição, aperfeiçoamento, da obsessividade e obstinação em processos. Foi então depois de testar alguns meios que ela começou a usar o estilete como ferramenta principal, unindo-o ao papel

Viu que ao fazer isto, dedicar-se a um trabalho manual que fortemente é valorizado no oriente, ela também despertava seus processos meditativos e tinha na atividade uma maneira de desacelerar um pouco a vida e a mente.

“Recorto e me acalmo”.

O trabalho da artista basicamente é em branco e preto. Ariádine conta que o branco vem do fato dela descender de portugueses e na família há muitos trabalhos manuais feitos em crochê nessa cor – toalhas, passadeiras, barrados – que passam as gerações.

A semelhança do papel com uma renda, se confunde entre os trabalhos manuais de Ariádine, que usam tradicionalmente o branco

Recentemente ela tem experimentado um pouco das outras cores e o resultado é completamente original!

PAPERCUTTING COMO AUTOCONHECIMENTO

A arte para Ariádine Menezes sempre foi uma grande ferramenta de auto-conhecimento, um processo pessoal que muitas vezes ela não entendia apenas olhando o resultado. “Esse processo é tão enriquecedor no sentido de permissão e auto compreensão que essa talvez seja a maior mensagem que tenho vontade de passar – a de que todo mundo pode e deve criar, artisticamente ou não – como exercício para se entender e entender o outro”, completa.

A ideia é continuar praticando, aprendendo e  ensinando o papercutting para poder trocar ideias com cada vez mais pessoas e levar a técnica para outras plataformas e lugares nesse mundo. (Sim, a artista ministra oficinas pelo Brasil!)

“Gosto dessa leveza e pouca importância que pode ser dado a um pedaço de papel, tão ordinário, mas que nesse caso tem tantas horas dedicadas nesse processo de me conhecer e entender o mundo”.

Ariádine Menezes

Veja mais trabalhos de Ariádine em seu TumblrBehanceInstagramFacebook. 

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