Do analógico ao digital, da efemeridade a crítica social: Conheça as colagens de Guigo Rua

Fascinado pelos detalhes do cotidiano, o designer, fotógrafo e artista visual paulistano Guigo Rua cria colagens essenciais ao mundo

Paulistano suburbano, nascido e criado na periferia de Parelheiros, Zona Sul de São Paulo, Guigo Rua teve seus primeiros contatos com a cena artística através do Hip Hop, onde atuou como emecee. Em 2014, iniciou o curso de fotografia no SENAC, que o levou ao mundo do audiovisual.

Durante a pandemia, sem poder sair de casa, e por estar acostumado a fazer diversos trabalhos fotográficos, começou a se aventurar por um caminho mais artístico ao testar ferramentas do Photoshop, criando colagens digitais com temática social, racial e política.

Em 2021, após criar a arte ” VIVA O SUS”, Guigo sentiu a necessidade de espalhar suas palavras e pensamentos em forma de lambes pela cidade, exaltando a linha de frente no combate a pandemia. A ideia fez tanto sucesso que virou camiseta em parceria com a El Cabriton.

Camiseta basicona Unissex com arte “Viva Sus” por Guigo Rua

Entre diversas criações, também voltou a ter contato com o Judaísmo, filosofia em que o sagrado e a cultura se misturam. Assim, uniu essas referências com a arte de rua, transformando inspirações em novos lambes e manifestos de vida.

​QUEM É GUIGO RUA?

Thiago, ou Guigo Rua, é filho dos anos 80, com pai pedreiro e mãe doméstica. Adolescente, começou a reparar na arte urbana. Conforme passaram os anos, o contato com a música o levou a produção audiovisual, profissão de sua formação.

Sempre gostou de grafite, mas nunca chegou a arriscar as tintas spray. Conforme o tempo foi passando, e com a labuta do dia a dia, transformou repertório em arte.

“Durante a pandemia, como não haviam trabalhos de fotografia, decidi usar a arte para me manifestar. Estamos vivendo um momento político muito tenso. E para mim, a arte tem sempre algo a dizer e refletir a sociedade onde se está”.

ARTE COMO MANIFESTO

Por viver na periferia e em contato com diferentes realidades, os temas abordados em seus trabalhos trazem particularmente críticas sociais e a possibilidade de materializar nesse processo indignações sobre a fome, o governo, a liberdade.

Guigo confessa que sempre foi muito tímido, e que as colagens hoje são as rimas que nunca conseguiu escrever ou gravar. Com isso, também quer expressar ao mundo assuntos que tanto o incomodam, colando nos muros o seu manifesto.

INSPIRAÇÕES DO ARTISTA

Entre suas maiores influências estão Banksy, Basquiat, Gabriel Ribeiro, além de referências da música como Mano Reis, Thiago Animal, entre outros.

Por falar em música, o tema é essencial para seu processo. Desde as canções na sinagoga até o Rap, artistas, bandas, até as capas de CDs da época, encartes, letras, que se transformam em linguagem visual, fundamental para sua técnica.

A fé também é uma das suas inspirações. Judeu por opção, a religião o ajudou a perceber que é possível fazer o bem, mesmo se tiver que combater o anti-semitismo, acabar com alguns esteriótipos; ao seu lado tem a proteção divina.

Pinterest, quadrinhos, animações, livros. Os anos 90, a MTV, a antena de bombril. Sou um caldeirão. Desde Mano Brown, Eduardo do Facção até Nação Zumbi e Baiana System, tudo me inspira a criar. A Nação é uma banda bem importante na minha vida, me deu força para começar”.

BRASIL X ARTE

Para Guigo, o Brasil é um país que não valoriza e nem consome tanta arte como deveria, além de existir muitas pessoas boas fora da bolha.

Também há uma dificuldade pessoal, além da financeira, a de superação. Pela timidez, Guigo Rua acaba colando apenas a noite os seus lambes nas ruas, assim, não precisa se preocupar com algum incômodo, das pessoas, da polícia, sentindo-se mais capaz.

“Uma cidade cinza, sem arte, é uma cidade completamente morta. Isso também reflete uma sociedade que não gosta de cores. É aí que entra a arte. Tem sempre uma frase, uma imagem, que pode transmitir para as pessoas um pensamento diferente”.

Nos momentos de necessidade, a arte, além da fé, o ajuda bastante. Muitas vezes, ao passar por um muro, Guigo sentiu que tudo poderia melhorar, tornando consciente e maior a vontade de se expressar.

O LAMBE

Com o lambe, aprendeu a dizer o que pensa e a importância de espalhar também palavras de esperança pelas ruas.

“O único porém é que você pode colar o lambe e minutos depois alguém pode arrancar – e demorou horas para fazer. Por outro lado, as colagens podem permanecer em um local por anos”.

Ele ainda enfatiza que mesmo se suas colagens forem arrancadas, ninguém consegue tirar dele a vontade de criar, colar, intervir. Não só pelo visual, mas também por conseguir assim, se expressar.

Sobre projetos para o futuro, Guigo conta que está produzindo bastante, e em breve, algumas novidades serão lançadas em parceria com a El Cabriton.

“Penso em uma exposição, mas a maior exposição – e minha favorita, é a das ruas. Acessível pra todos. Desde um morador de rua até a pessoa que não se importa com arte. Todos vão ver. Até alguém vir e arrancar. Mas se arrancar também, eu colo de novo!”

Veja mais trabalhos de Guigo Rua em seu site e acompanhe suas novidades no Instagram.

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