Projeto 54 – 13ª edição: Inspirações dos artistas para Carta 3

Do Coringa ao Às de Espadas, cada carta da 13ª edição foi criada individualmente por um dos 54 artistas selecionados. Pioneiro no Brasil, o Projeto 54 impulsionou um novo olhar para o design de cartas, que hoje tantas marcas, coletivos e artistas tem lançado.

O baralho, desde 2010, é como um pequeno museu de arte: coloca em exposição uma variedade de técnicas, estilos, a imaginação pessoal de cada convidado e ainda espalha arte independente pelo mundo. 

“O baralho é tanto um produto dos artistas quanto nosso”, diz Érica, sócia El Cabriton. Na verdade, cada carta apresenta uma nova oportunidade: novas referências, expressão de sentimentos, de ideias, de maneira tangível e autoral. E essas ideias podem vir de qualquer lugar. Conheça Fer Caju Rodrigues, Pedro Banlian, Rafabrilustra e Raysa Fontana

OS NAIPES ATUAIS

O baralho moderno começou a se espalhar no século 16, com 52 cartas criadas pelos franceses. Nessa época, vários países da Europa tinham suas versões locais dos naipes, como os bastões da Espanha ou os pinhões da Alemanha.

Porém, como os símbolos franceses eram os mais simples e fáceis de imprimir, ganharam popularidade no final do século 19 e foram adotados em outras nações. 

  • ♦ Carreaux (quadrados, que equivale a ouros);
  • ♠ Pique (pontas de lança, as espadas);
  • ♥ Coeurs (corações, as copas);
  • ♣ Trèfles (trevos, ou seja, paus);

ARTISTAS CARTA 3 – PROJETO 54 – 13ª EDIÇÃO

FER CAJU RODRIGUES (Tatuadore)

Fer Caju é tatuadore em eterno aprendizado, geminiano de múltipla personalidade e jovem-místico-parodista nas horas vagas. Para o 3 de Paus, quis brincar com o naipe e o próprio significado ambíguo da palavra, se inspirou na cultura Drag e na multiplicidade de gênero (tema que vive diariamente). Surgiu então, a figura (abaixo) que pode ser lida como um homem, mas na verdade é Drag King. 

“A cultura Drag, escancara justamente a estrutura imitativa do próprio gênero; a ideia de como o gênero é simplesmente uma questão de performance, construído socialmente, algo que pode ser imitado, exagerado e parodiado”.

“Pedi ajuda e usei como modelo meu parceire Hinacio King e criei a ilustração com base em algumas fotos que tiramos, pensando também em como mostrar o número da carta de forma complementar ao meu tema”. 

Como tatuadore, Fer enxerga a arte como qualquer tipo de manifestação que traz brilho nos olhos. Tanto aos olhos de quem produz quanto de quem aquilo atinge. “Arte é potência, criação, expressão, transformação e encontro”, comenta.

Este é seu segundo trabalho com a El Cabriton.

“Para mim, a El Cabriton tem sido um lugar muito massa de expressão cultural! Acho que tem espaço pra novos artistas o tempo todo e isso é muito bacana. As parcerias e os encontros que acontecem tem muita força artística e também política, o que torna tudo ainda melhor. Sempre me sinte muito honrade de ser chamade, de meu nominho estar no meio de uma galera que admiro demais e que me traz inspiração!”

PEDRO BANLIAN (Publicitário)

Pedro Banlian é formado em Design Gráfico e Publicidade. Diferente de muitos que participaram do baralho, ele deixa claro que não é ilustrador, mas sim, amante da arte de rua e de música. Estes dois pontos, aliás, foram a principal inspiração para sua carta. “No caso da minha ilustração, costumo falar que era pra ter saído, foi na sorte e no amor”, comenta rindo.

Banlian trabalha com Marketing, mas desenvolve projetos artísticos paralelos como Sujeitx de Sorte (em que cola nas ruas figuras e frases do cantor cearense Belchior) e Concreto011 (fotografias urbanas em preto e branco).

“Para o três de copas, juntei o amor pela música brasileira e Belchior, artista que escolhi para fazer meu trabalho na rua. A ilustração foi feita em cima do disco Auto Retrato (1999) e da letra da música ‘Alucinação'”.

Pedro acompanha a El Cabriton há anos e sempre viu a marca valorizar artistas independentes. “Um valor que poucas empresas dão; é o suporte que muita gente precisa para desenvolver um trabalho, coisa no mundo caótico em que vivemos que às vezes parece impossível”. Para ele, arte é tudo o que faz alguém sorrir.

RAFAEL BASTOS (Ilustrador)

Designer, ilustrador +18, co-criador e organizador da Poc Con, Rafael Bastos não consegue dizer exatamente o momento em que a ilustração entrou em sua vida, já que sempre desenhou. Porém, foi por volta de 2013, ano de sua mudança para São Paulo, em que começou a pensar no assunto com mais ‘seriedade’. Neste mesmo período, decidiu explorar a ilustração homoerótica.

Em 2014, quando criou sua 1ª conta profissional no Instagram, começou a postar publicamente o que produzia. A partir daí, lançou o 1º quadrinho “Pornolhices” (2018); junto com o quadrinista Mário Cesar, a 1ª feira LGBTQ+ de quadrinhos e artes gráfica do Brasil, a Poc Con (2019). Sua carta representa justamente o que faz em seu trabalho.

“Gosto de falar sobre sexualidade do jeito mais leve e bem humorado possível, então encontrei nesse projeto a desculpa ideal para fazer um personagem com 3 espadas”.

Rafa enxerga o baralho como uma iniciativa incrível, pois sabe o trabalho que dá reunir diversos artistas de estilos tão diferentes. “Existe tanta gente tão talentosa! É em projetos assim que podemos ter contato com muitas ideias novas”, finaliza.

RAYSA FONTANA (Ilustradora)

Raysa Fontana é ilustradora curitibana. Por ser uma pessoa de pensamento acelerado, encontrou na prática artística uma espécie de meditação. Suas criações tem como inspiração o wabi-sabi, filosofia japonesa que se concentra na beleza das imperfeições. 

Desde sempre, Raysa ama a ideia de criar coisas, seja lá o que for. De feijões no algodão até telas, a percepção criativa do mundo, sempre a incentivou. A artista começou na fotografia, depois trabalhou com direção de arte – quando viu, estava desenhando com prazer. 

Na pandemia, Raysa criou o perfil @desktopgirl para divulgar alguns desenhos que estava fazendo – até hoje não parou. Ela não acredita na história da ‘habilidade’; acha que técnica vem com o tempo. Além disso, celebra as falhas, experimenta novas práticas e materiais, além de focar na coragem.

Para sua Carta 3 de Ouros, Raysa pensou em criar um personagem que representasse o próprio número 3. Deixou as linhas a conduzirem, ao invés de partir para algo com intenção estabelecida.

O resultado é o vemos impresso no baralho. No projeto, o que mais a surpreende é a quantidade de artistas incríveis que se juntam pra fazer acontecer. 

PROJETO 54 – 13ª EDIÇÃO

Um detalhe: nunca repetimos nenhum artista nas edições! E olha que já participaram + de 700 artistas desde o início.

A 13ª edição do Projeto 54 tem tiragem única e limitada, além disso, foi impressa pela COPAG, maior fabricante de baralhos do Brasil, o que garante qualidade e jogabilidade. GARANTA O SEU!

5 comentários

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s