Projeto 54 – 13ª edição: Inspirações dos artistas para Carta 5

Por aqui, já rolou entrevista com os artistas responsáveis pela identidade visual da 13ª edição, Ases, Carta 2, Carta 3, Carta 4. Hoje você confere os da Carta 5! Mas antes de prosseguirmos, temos uma curiosidade bem legal sobre o baralho.

Você sabia que até o século 17, não haviam os padrões impressos no verso das cartas como hoje? Primeiro, por pura economia, e segundo, isso tornava mais fácil a reposição em pacotes incompletos ou defeituosos.

Com o tempo, o verso em branco começou a ser reutilizado frequentemente para anotações, convites, declarações de amor, viraram cartões de índice das bibliotecas, marcadores de livro, além de material utilizado para endurecer capas de livros. 

Algumas dessas cartas de baralho rasuradas foram descobertas justamente quando estes livros precisavam de reparo. Em um, ou em ambos os lados, encontramos textos, impressos, autógrafos, assinaturas de dívida, pinturas a óleo em miniatura, notas musicais desenhadas à mão, rabiscos e mais.

Exemplo de versos de baralhos reutilizados no século 17. Imagem e info via The World of Playing Cards;

A ideia de utilizar cartas de baralho dentro de uma outra proposta além do jogo não é nova. Séculos depois, a El Cabriton lançou o seu Projeto 54, sem mesmo saber de nada disso. Nossas cartas são ilustradas, viraram presentes, são emolduradas, colecionadas, e claro, são super bem fabricadas para garantir a jogabilidade.

Impressas pela COPAG, cada edição do baralho traz uma identidade e caixa incrível, arte em vários estilos, além de celebrar o trabalho de 54 artistas diferentes. Melhor: já passaram pelo nosso baralho mais de 700 artistas independentes – e nunca repetimos um nome!

Agora então, vamos ao elenco da Carta 5 e inspirações de suas ilustrações. Conheça um pouco mais sobre Favelado Abençoado, Frann Miranda, DaPenha e Marília Marz.

FAVELADO ABENÇOADO

Guilherme, também conhecido como Manolima, tem 20 anos e desenha desde criança, como a maioria dos artistas. Porém, também precisou trabalhar desde menor, já vendeu sorvete na rua e camisa de time, sempre na correria pra fazer a moeda e ajudar em casa. 

O artista conta que passou a vida toda na rua, na quadra de futsal ou em campo, jogando bola ou empinando pipa. Em 2019, teve um contato mais profissional com a ilustração e conta que foi amor à primeira vista. Na época, um amigo trabalhava na área. Na hora, decidiu que era aquilo que queria fazer em seu futuro.

Para o 5 de Paus (e todas suas outras artes), o artista se inspirou em uma de suas vivências. Guilherme tem como propósito, mostrar que a periferia é linda e pura arte. “Não sou diferente, nem nada, sou só mais um moleque da quebrada, comum e indiferente dos demais”.  

E quando ele pegar sua carta em mãos? “Pretendo deixar o baralho exposto em minha Escola de Artes e também sortear outro para meus seguidores, que não tem condição de investir em um produto de minha autoria”, completa.

FRANN MIRANDA

Frann Miranda é ilustradora e aquarelista há pouco mais de 6 anos. Durante esse período, ficou conhecida como Estúdio Luares, nome de sua marca lançada em 2016. Desde então, Frann atua como artista independente, cria ilustrações para empresas e editoras, além de se dedicar aos seus projetos autorais.

Para o 5 de Copas, conta que queria uma arte ligada ao coração, já que seu trabalho traz como tema as emoções humanas e a relação que mantemos com elas. A artista chegou então, a imagem final quando fez um contraponto entre razão e sentimento.

A figura feminina, sempre presente em seus trabalhos, olha para um pássaro com expressão sonhadora e desejo de um sentir mais descomplicado e autêntico. Não à toa, o nome que colocou nesta sua arte foi ‘Sonhos de Liberdade’.

“Quantas vezes nós, mulheres, fomos recriminadas pelo nosso sentir, consideradas ‘emocionais demais’? Quantas de nós aprendemos a racionalizar as emoções, como um mecanismo para nos proteger do sentir e conseguir alguma validação sobre ele? Em quantas situações gostaríamos de ter escapado à gaiola que criamos para os nossos próprios corações, obliterando a ‘voz da razão’?”

Para Frann, a arte é algo que permite múltiplas interpretações, muitas vezes além do que o próprio artista imaginou. Ela pretende utilizar o baralho como uma espécie de oráculo para diferentes momentos da vida. “Vou mentalizar uma pergunta, tirar uma carta e ouvir o que ela tem a dizer”. Quer também presentear a própria mãe com a 13ª edição.

“Além do fato dela ser a minha mãe e ser incrível, eu venho de uma família que, apesar de apoiar a minha carreira artística, nunca foi muito ligada ao consumo de arte. Eu acredito que a arte deve ser democrática e acessível à todes e que, muitas vezes, o desinteresse das pessoas está relacionado à baixa exposição à ela e a formatos complicados, que acabam por criar um distanciamento. E é isso que eu mais gosto na proposta do baralho: o formato simples, familiar, o caráter agregador. Até mesmo quem não se interessa muito vai gostar de apreciar as ilustrações enquanto joga”.

DA PENHA

Nascido e criado em Campo Grande, mas hoje morando no Rio de Janeiro, o designer e ilustrador negro DaPenha diz que quando criança enfrentou muitas dificuldades. Aos 4 anos de idade, encontrou no desenho uma forma para lidar com a realidade e conseguir se expressar.

Anos depois, se formou em Design, Animação e Ilustração. Com o tempo, passou a não se sentir representado pela arte que consumia, então decidiu fazer algo a respeito. Começou a concentrar em seu trabalho, temas da comunidade Negra e LGBTQ+. Muitas de suas artes também são inspiradas na música, na cultura hip-hop e na luta diária.

De uma maneira completamente original, DaPenha começou a trabalha com cores vibrantes, além de adicionar texturas e expor detalhes de forma incrível em seus trabalhos que falam sobre negritude. “Para mim, relacionar-se com a história que tenho que ilustrar é a coisa mais importante”. Para a 13ª edição do Projeto 54, criou o 5 de Espadas.

MARILIA MARZ

Ilustradora e quadrinista, Marilia Marz trabalha integralmente com desenho a pouco tempo (cerca de 6 meses). Foram anos sonhando em viver exclusivamente de arte, pois além de amar fazer isso, considera muito importante contar histórias e mostrar o seu ponto de vista.

“Hoje acredito ser o que faço de melhor, mas não é tão simples assim viver exclusivamente de desenho, por isso fiquei 4 anos em um emprego fixo construindo uma carreira paralela, até que foi dando mais e mais certo, até conseguir me planejar financeiramente para sair do fixo e me dedicar integralmente a isso”.

Ao criar a carta para o El Cabriton, sua maior inspiração foi o símbolo do naipe de ouros feito com as mãos. Com isso, ficou muito animada, foi pra frente do espelho treinar os movimentos que destacavam a forma, e assim acabou chegando a composição final.

“Depois da posição definida, peguei referências do movimento afropunk, em que as pessoas montam combinações de roupas e acessórios incríveis e, pra chegar nessa finalização meio exagerada (principalmente no grillz do dente), fui olhar a técnica do artista alemão Ore Ore Ore, que inclusive tinha um desenho muito parecido com a que pensei. Foi muito legal descobrir isso. Quis então dar destaque para a cor vermelha no naipe e usar algumas texturas de retícula digital. Juntando tudo isso, cheguei ao resultado”.

O que mais chama atenção de Marilia no projeto 54 é a quantidade de estilos diferentes que encontramos no baralho. “Acho isso muito legal, pois é um jeito de demonstrar que a arte funciona das mais variadas formas. Isso me lembra quando comecei a desenhar e achava que o desenho tradicional (anatomia e colorização perfeita) era o único caminho possível, caso eu decidisse seguir carreira na área”.

A ideia de seguir apenas este caminho tradicional na arte gerava muita angústia. “Por isso gosto de todo projeto que se propõe a mostrar que existem estilos variados de se fazer arte, pois todos são válidos”, finaliza.

PROJETO 54 – 13ª EDIÇÃO

A El Cabriton tem como ideal um mundo com mais arte. A 13ª edição do Projeto 54 tem tiragem única e limitada, além disso, foi impressa pela COPAG, maior fabricante de baralhos do Brasil, o que garante qualidade e jogabilidade. GARANTA O SEU!

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