Projeto 54 – 13ª edição: Inspirações dos artistas para Carta 6

Antigamente, os jogadores exigiam decks mais sérios e discretos, deixando a estética das cartas de lado. No entanto, quando a tecnologia chegou à fabricação dos baralhos, designs atraentes começaram a se tornar populares, transformando-os em um ótimo presente ou colecionáveis.

Uma empresa que ficou bem famosa ao adotar este conceito moderno e artístico ao baralho foi a Russell, Morgan & Company, fundada em 1867 em Cincinnati, nos EUA. Nesta época, Russell e Robert J. Morgan decidiram comprar a seção de impressão do jornal The Cincinnati Enquirer. Nos anos seguintes, em 1881, começaram a imprimir, entre outros materiais, cartas de baralho.

Em 1894, o negócio fez tanto sucesso e se tornou tão grande, que foi preciso criar uma empresa especializada e focada somente na impressão dos baralhos. – até hoje, eles são os maiores fabricantes de cartas do mundo – responsáveis pelas marcas Bicycle, Bee, Fournier, Aviator, Tally Ho.

1ª edição das famosas cartas impressas pela Russell & Morgan Printing Co., 1885

As cartas lançadas pela Russell & Morgan sempre trouxeram ilustrações e desenhos genéricos, sem nenhuma associação com empresa/marca. Mas em 1885, decidiram lançar o primeiro deck da Bicycle. O jogo traz para o ás de espadas, um selo com nome da empresa e de sua primeira marca.

O nome ‘Bicycle’ foi escolhido justamente porque na época, as bicicletas de rodas altas faziam sucesso e eram rápidas. O coringa seguiu a inspiração, e além da ilustração dentro do tema, incluía as palavras “Melhor Bower” (= melhor carta coringa, extra, para qualquer situação).

O verso do deck foi impresso com sete designs diferentes, incluindo a estampa abaixo, ‘Lotus’, com flores. A ideia se tornou extremamente bem-sucedida, e a Bicycle, a marca de baralhos mais conhecida do mundo.

Anos mais tarde, os Jokers continuaram a ser impressos com tema bicicleta. Estas primeiras edições são bastante procuradas pelos colecionadores;

Hoje, é bem comum as caixinhas de baralho carregarem um design exclusivo ou uma estética mais artística, como é o caso da El Cabriton, mas é bem desconcertante pensar que teve início há mais de 100 anos atrás!

CARTA 6 – INSPIRAÇÕES 13ª EDIÇÃO / PROJETO 54

O Projeto 54 traz uma variedade infinita de estilos e artes. Além disso, cada carta foi criada por um dos +700 artistas diferentes. Por aqui, já rolou entrevista com os responsáveis pela identidade visual da 13ª edição, Ases, Carta 2, Carta 3, Carta 4 e Carta 5.

Agora, é hora de conhecermos o trabalho do 6, com Mariana Waechter, Mariana Batista, Magô Pool e Vic Matos.

MARIANA WAETCHER

Quando criança, Mariana Waechter tinha muito convívio com bibliotecas públicas, já que sua mãe era escriturária na prefeitura de São Paulo. Virou leitora assídua e uma criança incessantemente imaginativa – que até conversava com seu próprio olho no reflexo da maçaneta da creche.

Com a literatura infanto-juvenil, estudo de pintura a óleo, aproximação dos quadrinhos na adolescência, sua criatividade foi tomando forma. Quando adulta, teve bastante dificuldade em manter um emprego formal e também ao entrar na faculdade de artes. Logo em seguida, virou mãe.

Enquanto se dedicava generosamente à maternidade, começou a desenvolver desenhos, pinturas, e a se aprofundar cada vez mais na ilustração, especialmente na linha narrativa. Desde então, lançou quadrinhos (Medeia, 2014 e Com que roupa?, 2020, Saíra Editorial), publicações, cartazes, capas e gravuras (como na exposição de calcogravuras Hábito de fúria, 2019).

Para a sua carta, Mariana trouxe um trabalho autoral divulgado em 2020 na Ilustríssima, Folha de SP; quando foi chamada para representar visualmente uma compilação dos novos poemas de Armando Freitas Filho. A personagem, diz ela, pode ser considerada um nato espírito seis de paus, pois mostra uma postura de ascensão, avanço, triunfo, esplendor.

“A ideia de ilustrar o gestual de uma forma feminina poética múltipla e ao mesmo tempo universal (sem marcadores de fenótipo específicos) para o imaginário expansivo do poeta, foi também certeira na perspectiva da tradição do baralho enquanto oráculo. O 6, do ponto de vista dos arcanos menores do tarô, é um número que fala acerca da beleza, de forma geral. No naipe de paus, é carta de triunfo, validação de escolhas acertadas, reconhecimento”, comenta a artista.

Para Mariana, que publica constantemente suas criações no Instagram também como exercício, a arte é uma expressão subjetiva, manifestada de forma criativa e em diálogo com outras subjetividades.

Sobre a ideia do baralho, completa: “A El Cabriton assume um papel incrível de ponte, multiplicação da materialização visual. O existir artístico não só pela estética, mas pelo conceito, pela ideia. No fomento do cool, o caminho para o conhecimento real – e esse contraponto, é papel do artista provocar. Agradeço e celebro quem cuida e respeita o fluxo do cenário artístico independente brasileiro. Muitos vivas!” 

MARIANA BATISTA

Formada em design de produto, Mariana Batista descobriu a tatuagem durante uma viagem em 2019, e assim se apaixonou pela arte e profissão. A artista e ilustradora de Florianópolis vê na tatuagem uma forma de expressão; é fascinada também pela possibilidade de traduzir um sentimento ou memória através de sua arte.

Seus traços trazem para a pele o estilo fineline e abstrato. Mariana costuma buscar como inspiração o cotidiano, a natureza, música, viagens, cinema – em tudo o que toca o seu coração de alguma forma.

Para o 6 de copas, a tatuadora e artista criou uma variação exclusiva de “Olhares”, série exclusiva de desenhos para suas flash-tattoos. Com traços simples, mas estilo único, ela traz a reflexão sobre a emoção.

MAGÔ POOL

Magô Pool é cartunista, ilustradora e designer.  Começou a trabalhar com arte profissionalmente em 2008 no finado Overdrive da MTV Brasil, como chargista de conteúdo online. “Digamos que estou fazendo conteúdo desde que isso aqui tudo era mato!”, comenta.

Para criar o 6 de Espadas, Magô se inspirou em sua avó Evangelina. Magô conta que Evangelina era muito competitiva e muito católica, mas quando se tratava de jogo ela blefava e xingava. “Era muito divertido e engraçado quando a ‘véia’ perdia e ficava brava com o parceiro de dupla. Perdi ela em 2020, e essa foi a forma de homenageá-la”.

A ilustradora acredita que o baralho é uma coletânea de artistas incríveis. Por isso, curte bastante a ideia do Projeto 54, coleciona as cartas e quer emoldurá-las.

– Magô, e se você pudesse escolher alguém para presentear com a 13ª edição? Ela responde: “Selecionaria minha avó. Hmmm acho que seria ela, minha avó. Faria todo sentido – e ela ia reclamar que não ficou parecida!”

Ela então admite: Como a vó não pode mais usufruir do jogo, presenteia então o seu maridon! ❤

VIC MATOS

Quando criança, Vic Matos colecionava gibis. “Usava os desenhos de referência pra fazer os meus e ficava prestando atenção nos estilos diferentes dos traços”, afirma. Para ele, sempre foi tão natural desenhar, que não via razão pra não desenhar.

Mais tarde, isso o levou para a faculdade de desenho industrial. Justamente durante essa época, Vic criou um paper toy da cantora Cristina Aguilera para o TCC de um amigo. Era o início dos blogs, e o seu, Rabisco Pop, misturava celebridades e ilustrações.

Quando postou o resultado do paper toy, viu que muitos aprovavam. Logo, seu trabalho se espalhou. Vic começou a criar mais e mais bonecos em papel de personagens, além de desenhos de famosos da música, humor, fofoca e artistas pop. Anitta, Gisele Bündchen, Elza Soares, Caetano – e até as princesas da Disney – já foram seus temas.

O artista conta, porém, que no começo de sua carreira, a aceitação foi bem difícil. Principalmente por seus pais, que queriam que ele prestasse concurso público. Vic continuou em busca de seu caminho artístico. Quando viram que ele realmente queria e gostava de trabalhar na área, começaram a o apoiar.

Desde então, ele já passou com seu talento por empresas como Editora Abril, Folha de São Paulo, Cartoon Network, Maurício de Souza Produções, Raia Drogasil, como ilustrador e designer sênior.

Para o 6 de ouros, Vic trouxe seu estilo adorado e traços pop. Criou uma diva incrível e brincou com o formato do naipe de sua carta, utilizando-o como acessório.

“Sempre gostei de mostrar um lado mais divertido da ilustração. Sátiras, caricaturas, observar o comportamento alheio, ilustrar situações, enfim. Não gosto de nada muito obscuro“, fala sobre suas inspirações.

PROJETO 54 – 13ª EDIÇÃO

A El Cabriton tem como ideal um mundo com mais arte. A 13ª edição do Projeto 54 tem tiragem única e limitada, além disso, foi impressa pela COPAG, maior fabricante de baralhos do Brasil, o que garante qualidade e jogabilidade. GARANTA O SEU!

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